A Comunidades Catalisadoras é uma organização sediada no Rio de Janeiro que trabalha para reconhecer, compartilhar, fortalecer, e dar visibilidade às soluções comunitárias do Rio e de todo o mundo.
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Inscrições Abertas: Mídias Sociais para Lideranças

Nova Edição do Curso de Ferramentas Virtuais para Lideranças Comunitárias Contará com Aulas Avulsas e Intensivas.


Desde maio, a Comunidades Catalisadoras (ComCat) ministra um curso sobre o uso estratégico das mais recentes ferramentas de comunicação virtual, focando na capacitação de lideranças comunitárias no uso estratégico das novas mídias sociais. Até agora, foram 101 capacitados, incluindo gestores comunitários, ONGueiros, e produtores culturais.


CDI Francisco: Local do curso de mídias sociais da ComCat

À partir de 15 de setembro, inauguraremos um novo formato do curso. Todas as aulas serão às quartas-feiras das 18-21h entre 15 de setembro e 1 de dezembro. Neste novo formato, cada aula será completa em si, possibilitando a interação específica de alunos com a(s) ferramenta(s) de seu maior interesse.


O objetivo: todo aluno sairá da aula com um canal de comunicação online direto com o grande público. Futuramente, estes canais de comunicação individuais serão mapeados pela ComCat para criarmos uma rede de troca e divulgação da experiência comunitária carioca.


Este curso é para lideranças, moradores de comunidades de baixa renda do Rio de Janeiro. Ele é gratuito. Porém, não podemos oferecer bolsa de transporte.


Interessado/a? Faça sua inscrição clicando AQUI.


Se você for de uma ONG, Prefeitura, professor, pesquisador, jornalista, produtor cultural, estudante ou ativista, envie um email, pois em novembro pretendemos lançar um curso completo, que cobre várias mídias sociais (em 6 semanas) pago, formulado especificamente para você.  Se você for de fora do Rio e estiver interessado num futuro curso à distância, por favor nos contacta, também por email: curso@comcat.org.


Local: CDI na Fundição Progresso, Lapa, no Centro do Rio de Janeiro (Metrô Cinelândia). Agradecemos a equipe do CDI Comunidade Francisco pelo apoio à este projeto.


Ferramentas Abordadas:

Redes sociais:

  • Facebook (Maior rede social | Crie uma página e mala direta no FB para sua organização++)
  • WiserEarth (Maior rede social da sociedade civil agora em português: Crie grupos de troca, inclua sua organização e publique sua solução comunitária)
  • Twitter (Ampliando sua rede social além dos seus conhecidos | Driblando a grande mídia para divulgar atos e problemas quando acontecem)

Produção e publicação de conteúdo online:

Estratégia:

  • Ferramentas Google de organização e apoio logístico (gmail, documentos, formulários, reader)
  • Estratégia (como reunir tudo numa estratégia coerente?)

Curso de Mídias Sociais Completa 2o Mês, por Tiago Donato

Desde maio, a ComCat administra um curso no uso estratégico das mais recentes ferramentas de comunicação virtual, focando na capacitação de lideranças comunitárias no uso estratégico das novas mídias sociais.


A “Mídia Social” é uma nova mídia, comparada à chamada grande mídia, os grandes veículos de comunicação em massa. Hoje em dia existe um movimento em que o alcance da informação se expande cada vez mais, e isto se dá através dos veículos de mídia socialA voz do indivíduo é valorizada nas mídias sociais hoje amplamente adotados pela civilização global. Enquanto no Irã cidadãos conquistam em redes sociais como Twitter um grau de liberdade de expressão que o Estado infelizmente não lhes garante, o presidente auto-exilado da Tailândia se comunica com o movimento que o apóia através de seus vídeos “caseiros” postados no YouTube, e nos EUA o então candidato Barack Obama foi eleito presidente com uma campanha inovadora que empregou a Internet de forma muito bem sucedida.


A grande mídia observa o surgimento de uma nova mídia, e procura adaptar-se ao mesmo tempo que indivíduos livres e com grande motivação mostram o caminho. A experiência mostra que essa motivação pode ser política, financeira, humanitária ou simplesmente humana. Esse movimento global é real, é o próximo passo da comunicação global humana e assim levanta questões para todo o status quo, e de fato é um período muito fértil para inovações e novas descobertas para todos os setores da sociedade, incluindo o nosso.


Enquanto isso, na Fundição Progresso


Reunimos de mês a mês um grupo de cerca de 25 líderes comunitários do Rio de Janeiro para cinco ocasiões. O espaço do CDI foi cedido para esse curso, assim como a ajuda dos funcionários que garantem que todo o equipamento esteja funcionando bem.


No primeiro dia, o foco é numa introdução geralUma Sessão do Curso de Mídias Sociais e nos primeiros passos nas redes do Twitter e Facebook, e a criação de uma identidade online e pensamos um pouco no significado da sua presença na Internet como uma pessoa que trabalha para melhorar as vidas de pessoas e comunidades.


Nas semanas seguintes, passamos pelo treinamento passo-a-passo no uso mais avançado do Twitter e Facebook, na criação e manutenção de um blog, usando os sites Blogger e WordPress, e também no uso do blog coletivo Favela.Info, criado e hospedado pela ComCat pelo propósito do curso. Também cobrimos a criação de vídeos no MovieMaker e a manutenção de um canal no YouTube, e o uso da rede social de justiça social e sustentabilidade WiserEarth, que a ComCat representa no Brasil e trabalha em parceria com seus desenvolvedores.


A cada dia o curso se desenvolve mais conforme aprendemos com os participantes o que eles precisam para efetivamente empregar essas ferramentas novas no seu dia-a-dia de trabalho social. Este aprendizado já rende com o planejamento de aulas extras para poder se aprofundar mais em determinadas ferramentas que mais podem beneficiar cada um.


A demanda pelo curso até agora foi muito impressionante, recebendo interesse de vários estados do Brasil e até de membros da nossa rede em outros países! Continuaremos oferecendo o curso aqui no Rio até o final do ano, em parceria com o CDI, e enquanto isso desenvolvemos idéias para a criação de uma versão online do curso, para que possamos levá-lo ao resto do Brasil.


O curso continuará todos os meses pelo menos até o final de 2010. Para se inscrever, preencha o formulário de inscrição aqui. Veja mais detalhes do curso aqui.


Tiago Donato é estagiário de políticas públicas da ComCat, e contribui para o site da ComCat além de ajudar no curso de Mídias Sociais todas as semanas e no desenvolvimento e manutenção do Favela.Info.


Um Renovado Banco de Soluções Comunitárias — no WiserEarth.org!

É com alegria que anunciamos o lançamento do renovado Banco de Soluções Comunitárias da ComCat, agora hospedado na nova Rede Social para Sustentabilidade, www.WiserEarth.org!


Anunciando o Lançamento da Rede Social para Sustentabilidade, WiserEarth, em Português


WiserEarth agora em português!WiserEarth (Terra Sábia), uma iniciativa sem fins lucrativos, oferece uma rede gratuita e sem propagandas para uma vibrante comunidade de mais de 37.000 pessoas de 231 países, regiões e territórios, e contém mais de 2.000 grupos criados por membros e 110.000 organizações listadas em seu diretório.  É uma alternativa inovadora frente as redes sociais comerciais como Facebook e Orkut.


Após conhecer o trabalho do WiserEarth em inglês, a ComCat percebeu a importância de fazer uma parceria e trazer essa rede para o Brasil, para ampliar o alcance das comunidades da nossa rede. Com isso, a ComCat traduziu todas as ferramentas do WiserEarth para o português e está coordenando, no Brasil, esta Rede Social de vanguarda focada em justiça social e meio ambiente.


Para saber mais sobre a parceria da ComCat e o WiserEarth leia no nosso blog: A ComCat traz WiserEarth.org, a rede internacional de sustentabilidade, para o Brasil!


Para entrar na rede do WiserEarth clique aqui!


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Sua Solução Comunitária, Agora no WiserEarth


Estamos convidando a todos os integrantes da Rede ComCat à ingressar nesta rede mundial. Para associar-se, clique aqui.


Banco de Soluções Comunitárias

Em seguida, visite o Banco de Soluções Comunitários (BSC) da ComCat, com todos seus projetos comunitários, que foi migrado pela equipe da ComCat para a plataforma do WiserEarth, o que significa que agora estes projetos estão potencialmente conectados aos 37.000 atuais usuários do WiserEarth ao redor do mundo.


Se você é gestor de um projeto comunitário publicado no antigo BSC da ComCat, ao associar-se no WiserEarth você poderá fazer todas as atualizações no perfil da sua organização ou no seu projeto, além de fazer parte desta rede e utilizar todas as ferramentas que o WiserEarth oferece.  Qualquer dificuldade ou dúvida na busca por seu projeto, nos procure.


Se você não tiver sua organização ou projeto comunitário publicado conosco, faça aqui o cadastro da sua: organização ou solução comunitária.


Além de incluir sua organização e seus projetos no WiserEarth, você pode participar de diversos grupos. A ComCat já criou dentro do site do WiserEarth dois grupos voltados para a interação dos integrantes da Rede ComCat. Sugerimos que você adicione-se a esses grupos. Os links são os seguintes:


> Comunidades Catalisadoras (português) onde estão postados todos os projetos em português do Banco de Soluções Comunitárias da ComCat. Adicionando-se ao grupo você terá acesso à editar os projetos.

> Gestores Comunitários do Rio de Janeiro criado para unir e gerar interatividade entre os getores comunitários do Rio de Janeiro.


Se precisar de orientação entre em contato com a ComCat por email (rose@comcat.org) ou telefone (21.3717.1590).  Nos vemos por lá!


A ComCat traz WiserEarth.org, a rede internacional de sustentabilidade, para o Brasil!

WiserEarth.org, uma organização sem fins lucrativos que oferece uma rede social para o movimento internacional pela sustentabilidade do planeta, lançou hoje a versão beta de seu site em português. O trabalho foi realizado graças à dedicação de 17 tradutores voluntários, quase todos da Rede ComCat.


WiserEarth agora em português!

Muitos vêm pedindo que o WiserEarth seja traduzido para suas línguas. Aqui na Comunidades Catalisadoras (ComCat), ao longo de 8 meses transferimos todas as soluções do nosso Banco de Soluções Comunitárias para a plataforma de soluções do WiserEarth. Enquanto isso, organizamos nossa rede de tradutores voluntários para traduzirem a ferramenta como um todo para o português.  Pois, vimos nela uma oportunidade única para ampliar o alcance das comunidades da nossa rede.  Agora, toda a nossa comunidade, e muitas outras pessoas preocupadas com os mesmos temas, se beneficiarão.  O site em português fará com que essas pessoas se comuniquem com pessoas preocupadas com as mesmas questões — sociais e ambientais — em todo o mundo.


Falantes da língua portuguesa agora podem se conectar a pessoas com a mesma mentalidade no WiserEarth, criar seus próprios grupos e facilmente obter informações de seu extenso diretório.


O WiserEarth oferece uma rede gratuita e sem propagandas para uma vibrante comunidade de mais de 37.000 pessoas de 231 países, regiões e territórios. É uma alternativa inovadora para as redes sociais comerciais como Facebook e Orkut, e contém mais de 2.000 grupos criados por membros e 110.000 organizações listadas em seu diretório.


O site foi lançado ha três anos no Dia da Terra pelo ambientalista, escritor e visionário, Paul Hawken. O WiserEarth venceu o teste do tempo e tornou-se um recurso valioso para ativistas, empreendedores sociais e líderes que trabalham por um mundo mais justo e sustentável.


“Eu sabia que se pudéssemos entender as conexões e visualizar a amplitude dos esforços globais em nome da justiça social e ambiental, poderíamos reconhecer o movimento mais extenso que o mundo já conheceu. O WiserEarth é aonde esse movimento pode começar a se enxergar”.

- Paul Hawken, Fundador, WiserEarth

 

“Depois de 9 anos atuando diretamente com lideranças comunitárias no Rio de Janeiro, trabalhando para expandir suas redes e compartilhar o bem que estas vêm fazendo dentro de suas comunidades com uma crescente audiência através da Internet, nós da Comunidades Catalisadoras ficamos muito felizes em descobrir uma excelente ferramenta no WiserEarth. Passamos o nosso premiado Banco de Soluções Comunitárias na íntegra para a seção de Soluções dentro do WiserEarth. Em seguida, começamos a usar a função Grupos e ficamos ainda mais impressionados com essa ferramenta intuitiva que permite à sociedade civil se organizar independentemente, porém debaixo do mesmo teto, aonde temos acesso uns aos outros e ao conhecimento de cada um. Estamos certos de que essas ferramentas devem estar disponíveis para as comunidades das favelas com quem trabalhamos no Rio de Janeiro, as comunidades indígenas das quais estamos cada vez mais próximos na Amazônia, e à todos preocupados com a sustentabilidade do planeta”.

- Theresa Williamson, Fundadora, ComCat


Visite o WiserEarth em Português: pt.wiserearth.org


Alavancando Valores Locais Pelo Planejamento Estratégico Local, por Tiago Donato

Um relato de uma sessão de treinamento no Fórum Urbano Mundial, em Março de 2010, no Rio de Janeiro, Brasil.


Esta sessão foi promovida pelo Weitz Center for Development Studies, uma organização Israelense cujo foco é alimentar o crescimento sustentável em toda parte do mundo através da sua experiência e conhecimento técnico. Os objetivos da sessão eram: um, entender a estratégia de valorização de riquezas (ao contrário de uma de resolução de problemas) para o desenvolvimento local; dois, aprender a criar e implementar estruturas de governança e plataformas organizacionais no governo local que sirvam para promover o desenvolvimento local (indo além da missão de prestação de serviços); e três, engajar os participantes com a criação de um rascunho de um modelo de trabalho para se estabelecer uma UPME (Unidade de Planejamento Municipal Estratégico) baseado em seus contextos e valores locais. Durante este evento, tivemos a participação de representantes e consultores do MASHAV (a agência Israelense de cooperação internacional para o desenvolvimento) e do Weitz Center, e também Sam Okello, o Prefeito de Kisumu, no Quênia, e parte de seu gabinete, que tiveram experiências positivas para relatar sobre sua cidade. A partir da criação de uma UPME, Kisumu recentemente atraiu investimentos estrangeiros totalizando 40 milhões de Euros (mais de 95 milhoes de Reais) para a cidade de cerca de um milhão de habitantes.


Fórum Urbano Mundial

O maior desafio é a implementação dos mecanismos locais necessários para a condução de um plano estratégico através de uma UPME. A cooperação com o governo federal é essencial para se estabelecer a capacidade da UPME de mobilizar as instituições de governo e para que seja assegurada a continuidade desse trabalho de um mandato para outro, acompanhando as mudanças políticas do governo local. Qualquer estrutura que já exista para planejamento estratégico de longo prazo no nível municipal deve ser aproveitada em conjunto com as associações de comércio e indústrias, assim como sindicatos de trabalhadores e outras organizações que participem da economia local em todos os níveis, e qualquer estrutura que esteja faltando pode ser criada e desenvolvida como a primeira fase da missão de uma UPME. O mais importante é que a UPME incluia todas as partes que tenham um interesse na área, de modo a gerar a vontade política para alavancar a implementação dos planos.


Mas a principal lição que todos os participantes levaram para casa foi algo menos pragmático: adotar uma abordagem baseada nas riquezas para se alcançar o desenvolvimento local. Isso significa observar a cidade e pensar não no que está faltando, mas no que existe. Em cidades menos desenvolvidas, temos uma tendência natural a acreditar que nos faltam muitas coisas que deveríamos ter e que é por isso que a vida é tão difícil. As coisas começam a mudar conforme nós vemos toda a nossa cidade como uma possibilidade e uma ferramenta para o seu próprio desenvolvimento, por menor que seja, e seja o que for que não pareça imediatamente uma riqueza pode ser visto como um potencial e, usando a criatividade, podemos encontrar maneiras de transformar esses tesouros escondidos em valor e desenvolvimento, criando algo a partir do nada, apenas por que mudamos a nossa perspectiva para uma criativa e positiva.


O Fórum Urbano Mundial é a conferência mundial da ONU sobre Cidades. Sua quinta edição, com o tema “O Direito à Cidade” aconteceu na Zona Portuária do Rio de Janeiro, do dia 22 ao dia 26 de Março de 2010. A próxima edição do FUM acontecerá no Bahrain, em 2012.


*Tiago Donato é o Estagiário de Políticas da ComCat. Nascido no Rio de Janeiro, Tiago escreve para a ComCat, e acompanha as políticas locais.


Encerrando Inscrições: Mídias Sociais para Lideranças

O Uso Estratégico das Mais Recentes Ferramentas de Comunicação Virtual”


Na semana que vem iniciamos uma nova etapa na história da ComCat. Durante os últimos 9 anos, fizemos um trabalho de forminguinha, fortalecendo centenas de projetos comunitários no Rio de Janeiro através do desenvolvimento de suas redes (na Casa ComCat e além), e atraindo visibilidade internacional às suas iniciativas através do nosso Banco de Soluções Comunitárias online, hoje hospedado no Wiser.


Mídias sociais

Na semana que vem, terça-feira 4 de maio, iremos começar a passar o conhecimento de como criar redes globais e atrais atenção internacional nas mãos de vocês — os próprios gestores. Pois agora existem diversas ferramentas virtuais que possibilitam isso.


Em cada mês deste ano iremos capacitar 30 gestores comunitários nas chamadas “mídias sociais,” graças à uma parceria com o CDI que esta disponibilizando seu lindíssimo telecentro na Fundição Progresso.


Acesse o formulário de inscrição.


Resumo:

O curso capacitará lideranças comunitárias para o desenvolvimento de canais de comunicação virtual entre as suas comunidades e a sociedade como um todo, do local ao global. Este primeiro módulo focará na organização, produção, e disseminação de conteúdos usando ferramentas do Google, Blogs, YouTube, Vimeo e produção de vídeo, Twitter, WiserEarth e Facebook.


Cada turma terá duração de um mês, com uma aula por semana. Em maio as aulas serão às terça-feiras das 18-21h, do dia 4 até o 25. O curso começará ensinando como elaborar uma identidade online. Em seguida, focaremos na produção de conteúdos pertinentes (escritos e visuais) e sua publicação em blogs e sites de vídeo online. Para concluir, iremos detalhar como disseminar tais conteúdos, inclusive como desenvolver uma rede de apoio online.


Objetivos do Curso:

  • Criar e construir uma identidade online
  • Organizar, produzir e disseminar conteúdo em rede
  • Crescer e manter redes de apoio/troca online entre: (1) membros da própria comunidade; (2) outras lideranças; (3) o público em geral; e (4) voluntários (para divulgação e captação)
  • Fortalecer comunidades através do/a (1) treino de lideranças existentes, (2) troca entre lideranças, e (3) estímulo ao envolvimento de jovens na causa comunitária
  • No caso do(s) mês(es) focado(s) nas comunidades em risco de remoção: capacitação de repórteres comunitários para disseminar informação sobre as remoções


Requisitos:

  1. Líderes de organizações (formais e informais) de ação comunitária.
  2. Compromisso com a frequência em todas as aulas (4 aulas de 3 horas durante um mês), com os deveres de casa (produção de conteúdo, uso das ferramentas ensinadas), e em utilizar o material aprendido para fortalecer seu trabalho comunitário.


Saiba Mais:

  • Encorajamos líderes que possuem pouca intimidade com o uso da Internet a indicarem e vir junto de um jovem com potencial de liderança da comunidade, pois o curso requer um mínimo de experiência com navegação e uso da Internet. Assim, além de lideranças existentes aprenderem à utilizar estas ferramentas, estaremos também estimulando jovens à se mobilizarem em torno de suas comunidades.
  • Todas lideranças estão convidadas à se inscreverem. As aulas serão no espaço do CDI dentro da Fundição Progresso, na Lapa perto do Metrô Cinelândia. Participantes receberão transporte de ida e volta. O curso será filmado pelo Coletivo AntiCinema, para produzir materiais de ensino à distância e divulgação. AntiCinema será também responsável pelas capacitações em vídeo.
  • Exepcionalmente durante o mês de maio serão priorizados os inscritos de áreas em risco de remoção e/ou sob influência direta do planejamento das Olimpíadas de 2016.
  • As aulas irão acontecer mensalmente durante os meses de maio à dezembro 2010. Garanta sua vaga desde já.

Faça sua inscrição através do formulário, email ou telefone 21.3717.1590.

Acesse e imprima a chamada em PDF aqui.


Um Cemitério de Escravos e o Fórum Urbano Mundial, por Tiago Donato*

O norte do Centro do Rio, norte da Avenida Presidente Vargas, é um mistério para muitos. A área é chamada de Santo Cristo, Gamboa, Saúde ou a Zona Portuária, em referência ao porto, aonde motoristas tipicamente observam, do Elevado da Perimetral, as centenas de carros enfileirados, aguardando seu destino de exportação, e as grandes pilhas de containers recheados de bens de consumo. Mas abaixo do viaduto, como sempre, vivem pessoas. Boa parte do porto agora está em desuso, exceto por eventos tais como o Fórum Urbano Mundial, que decidem usar o local como sede.


Instituto Pretos Novos

Mas existe muito a ser descoberto na Zona Portuária do Rio de Janeiro. É considerado o berço do Samba, aonde várias escolas de Samba têm seus Barracões. Lá também fica o Morro da Providência, a primeira favela do Brasil, originária do uso da palavra favela para tal, que hoje é dominada ainda pela presença violenta de uma das organizações de tráfico de drogas do Rio de Janeiro.


Próximo aos Armazéns aonde acontecerão os eventos do Fórum Urbano Mundial, na Gamboa, na Rua Pedro Ernesto, número 36, a cerca de 15 anos atrás, foram encontradas ossadas humanas durante uma reforma em uma residência. Após anos de burocracia, o IBA, Instituto Brasileiro de Arqueologia, finalmente começou os trabalhos de excavação e remoção de alguns dos artefatos ali encontrados, acompanhado da cobertura eufórica da mídia local. De acordo com a estimativa de Júlio César Pereira, que escreveu sua tese de mestrado sobre a história do sítio arqueológico, baseado em registros da Igreja de Santa Rita entre 1824 e 1830, haveriam mais de 10.000 ossadas enterradas no local, assim como artefatos do período, como barras de ferro usadas para queimar a pele de um escravo com as iniciais de seu dono. Era então chamado de Cemitério do Valongo, hoje conhecido como Cemitério dos Pretos Novos, o local aonde milhares de Africanos que morreram pouco depois de chegar ao Brasil seriam enterrados, anônimos. Como essas crianças, mulheres e homens morreram sem ser comercializados no mercado de escravos que operava na região (que foi transferido da Rua Primeiro de Março em 1769, e existiu até a Abolição), a maioria não eram marcadas ou batizados, deixando-os então sem nenhum registro de sua identidade, sendo depositados na Rua Pedro Ernesto 36, como artigos importados inutilizados no transporte.


Depois de serem contatados e visitados por pessoas interessadas na história do sítio arqueológico, Mercedes e Petrucio, que então possuíam também os 2 terrenos vizinhos, decidiram criar um espaço cultural, no qual refletir sobre essa memória e mantê-la viva. Então nasceu o Instituto dos Pretos Novos, que exibe agora peças de artistas, afro-brasileiros ou não, que cedem suas criações para o Instituto, assim como oficinas sobre a história da Zona Portuária, do comércio de escravos na região e a história do Samba.


Instituto Pretos Novos

Talvez a melhor maneira de descrever o IPN é como um símbolo da história dessa parte do Rio de Janeiro, que tristemente perde sua expressão. A área passou por mudanças com o tempo, uma vez apelidada de A Pequena África, agora vê uma população de migrantes do Nordeste do Brasil, e os habitantes originais que se estabeleceram na área após a Abolição, em sua maior parte, foram embora.



Porém a associação com os escravos e seus descendentes parece permanecer. Talvez como as nossas sociedades parecem querer esquecer os crimes contra a humanidade cometidos sistematicamente durante a escravidão, elas também querem esquecer os lugares aonde eles aconteceram. Na Rua do Livramento, próxima ao IPN, diz-se que todos os terrenos estão abandonados, e este correspondente encontrou apenas ratos passeando em plena luz do dia. O Instituto dos Pretos Novos também encontra grandes dificuldades em manter seu prédio, suas atividades e sua existência, e o apoio do governo e da sociedade civil, embora existente, é ainda muito escasso. De fato, é a mesma dura realidade encarada por todos os habitantes da região. O interesse na Zona Portuária atualmente está em alta, porém ainda é triste ver como a região está atrás do resto da cidade em qualquer medição de desenvolvimento humano, apesar de tentativas do governo e da sociedade de resgatar essa parte do coração da nossa cidade.


O Instituto dos Pretos Novos estará aberto para visitas durante o Fórum Urbano Mundial. Para obter informações, ligue para (21) 25167089 ou mande um email para pretosnovos@pretosnovos.com.br.


*Tiago Donato é Estagiário de Políticas Públicas da ComCat, focado em acompanhar políticas locais e postar no blog da ComCat.


Pacto Carioca – Agregando Políticas, por Tiago Donato*

1-6 de fevereiro de 2010 – Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro


Em seguida um resumo das oficinas durante os 6 dias de discussão da sociedade civil em torno do Pacto Carioca e Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro:


As oficinas temáticas foram ocasiões em que especialistas das áreas pertinentes a cada tema foram convidados a diagnosticar e propor texto a ser incluido na proposta de Plano Diretor para o município do Rio de Janeiro. O resultado das oficinas será levado à comissão especial da Câmara dos Vereadores para o Plano Diretor, liderada pela Vereadora Aspásia Camargo, também a responsável pela iniciativa, financiada pela Câmara e pelo Instituto Pereira Passos.


Deve ser entendido que as propostas incluídas no produto final de cada Oficina servirão apenas como sugestões para análise dos Vereadores que finalmente redigirão o texto e o apresentarão ao restante da Câmara para aprovação.


O último Plano Diretor da cidade terminou em 2001, então há mais de oito anos que governos passam proposta pra lá e pra cá e nada se concretiza. Nesse momento temos alguns motivos para nos empenhar em passar esse Plano; evidentemente, a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, mas também a realização do censo no ano de 2010. Durante as Oficinas a oportunidade proporcionada pelo censo foi um tema sempre recorrente, sendo levantadas propostas de re-definir a espacialização do país, inclusive a possibilidade de se adotar novas práticas de análise das informações, como por exemplo da divisão do país em grupos populacionais pequenos (p. ex. 80 mil habitantes), de modo que sejam comparáveis objetivamente os dados estatísticos sobre um grupo de pequenos municípios no Nordeste do país com um grupo de igual população que habite uma área de Copacabana, por exemplo, o que nos permitiria obter uma visão nova do país e do cidadão brasileiro, incluindo as zonas rurais e do interior do país lado a lado com as grandes cidades.


Desde 2002, houveram documentos substitutivos que não passaram, e que agora formam o plano a partir do qual a comissão especial trabalha. Nesses documentos, elementos novos foram adicionados ao longo dos anos, que não existiam no plano inicialmente proposto, como por exemplo diretrizes relacionadas ao meio ambiente e às políticas sociais do país, o que nos leva a crer que os Planos anteriores eram relativamente modestos. Claramente o grande objetivo agora é uma visão muito mais avançada e inter-disciplinar. Como exemplo disso está a proposta de se entitular o Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável do Município do Rio de Janeiro, sinalizando uma visão mais ambiciosa. O fato é que existem muitos planos diretores para todo tipo de órgão administrativo, então os participantes da Oficina de gestão e governança concordaram em redigir essa proposta pelo caráter universal desse específico plano. Na mesma linha, quando foram discutidas as políticas sociais do município, a coordenadora Thereza Lobo buscou obter uma integração entre os representantes das áreas de Educação, Saúde e Assistência Social, observando apenas as áreas geográficas como fronteiras para as diretrizes a serem sugeridas. Também é observado o impacto que as políticas da Prefeitura têm sobre os municípios vizinhos, que quase sempre carecem da mesma qualidade de serviços que a cidade possui, por mais deficientes que estes ainda possam ser, mas o texto do Plano deverá prioritáriamente manter a integridade do território municipal, reiterando a submissão dos governos estadual e federal às suas leis municipais, de modo a não interferir com a estratégia de longo prazo que aqui toma forma.


O propósito do Plano Diretor é de estabelecer diretrizes para a formulação dos Planos Plurianuais (que definem as estratégias de governo em períodos de quatro anos, começando do segundo ano de um mandato até o fim do primeiro ano do próximo) e, em seguida, dos Orçamentos. Entre as propostas sugeridas na Oficina de gestão e governança, estava a criação de um órgão, acompanhado de uma secretaria de corpo técnico, representativo e paritário, isto é, composto por integrantes do governo, mercado e sociedade civil em equilíbrio, cuja função será a de garantir a aderência às diretrizes definidas por esse Plano Diretor, ao longo dos dez anos de sua vigência. Estes elementos são, de fato apesar de um emaranhado de detalhes e jargão, fundamentais para o Plano Diretor, já que todas as políticas dependem de boa governança para serem bem-sucedidas. Não importando o quanto ele seja indispensável, sem boa governança, o Plano não “pega”, e, como observou a Vereadora Aspásia Camargo, uma cidade sem planejamento é uma cidade vulnerável.


No dia 1 de março acontecerá no Centro de Convenções Sulamerica na Cidade Nova o Fórum do Pacto Carioca, onde será apresentado o resultado das oficinas tecnicas.  A sociedade está convidada a participar desta que será mais uma oportunidade para se dialogar sobre  as propostas do Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro.


*Tiago Donato é um blogger e voluntário da ComCat. Após morar 3 anos fora do Brasil, retornou ao Rio dedicado à estudar e trabalhar para melhorar a qualidade de vida do Rio de Janeiro.


Reunião Mobiliza Comunidades Afetadas pelas Olimpíadas

4 de novembro de 2009–Vila Autódromo, Rio de Janeiro

Ruas com placa, organização dos moradores


Por conta do fóco da ComCat ser em reconhecer, compartilhar, fortalecer, e dar visibilidade às soluções comunitárias do Rio de Janeiro, achamos importante divulgar as vozes da comunidade Vila Autódromo, que vemos como um modelo de organização e paz para o Rio de Janeiro.  A Vila Autódromo, que se formou há 30 anos, ao lado do autódromo na cidade do Rio de Janeiro, esta entre as menos de 18% de favelas Cariocas sem tráfico de drogas ou milicia.  Ela é pacífica por conta da fraternidade entre os moradores, e é agradável de visitar.  Infelizmente, este modelo, ao inves de ser reconhecido e apoiado pela Prefeitura, esta sendo ignorado.  A comunidade foi demarcada para remoção em nome das Olimpíadas.  Queremos ver um legado social Olímpico que reconhece e fortalece comunidades modelo como a Vila Autódromo, e que gastem recursos públicos investindo na urbanização e regularização de tais bairros.


Em seguida relatamos os acontecimentos durante a reunião “Mobilização Pelo Direito de Permanência”:


Na noite do dia 04 de novembro foi realizada na quadra da comunidade Vila Autódromo uma reunião com moradores, lideranças das comunidades adjacentes, vereadores que se posicionam contra a remoção, defensores públicos e lideranças de organizações que lutam pelo direito a moradia e ao uso da terra de maneira justa.


Chegamos lá à noite e a quadra estava cheia.  A comunidade esta efetivamente se organizando e não há como não sentir indignação por ver mais uma vez os interesses da população das favelas desprezados pelas decisões dos governantes, que de acordo com os vereadores e defensores públicos presentes, também estão desrespeitando direitos legais adquiridos.


Durante a reunião o vereador Reimont expressou sua indignação com a condenação à remoção da Vila Autódromo e disse ser uma possível estratégia para remover uma a uma as comunidades. Reimont disse que legalmente um projeto deve passar por diversas comissões antes de ir à votação, e que um projeto de autoria dele está transitando entre tais comissões desde abril deste ano. O que demonstra que o projeto desta emenda condenando a Vila Autódromo é inconstitucional: o projeto foi votado sem o conhecimento dos presidentes de todas as comissões. Segundo o vereador, o projeto pisoteia a Lei e está carregado de ilegalidade. Reimont se referiu à documentos desrespeitados tais como:  a Constituição Cidadã, o Estatuto da Cidade, a Constituição Federal e a Lei Orgânica da Cidade.

Casa e lotes são grandes e bem consolidados


No dia anterior ao encontro foi votado na Câmera o PEU das Vargens, que modela a chamada Veneza Carioca (que não visa a criação de habitação popular), e utiliza a estranha categoria de favelas denominadas de “Interesse Social”, o que se deduz que as comunidades a serem removidas não são de “Interesse Social”. O que será que faz essa estranha distinção? Talvez a fala do vereador presente Eleomar Coelho, que votou contra a remoção na comunidade ontem na Câmera nos dê algumas pistas:  “Resistência” não é contra esses grandes eventos no Rio, mas contra o planejado apartheid no Rio de Janeiro. Eleomar lembrou dos esforços de remoção de comunidades na época do Conde e do César Maia, na época do Pan (funcionários da prefeitura pintavam SNH na porta/muro das casas marcadas para demolição, como faziam os nazistas discriminando as casas dos judeus).  Lembrou também que os maiores financiadores de Eduardo Paes foram as construtoras e imobiliárias, e que a chamada “limpeza social” aumenta em cerca de 400% o valor de mercado da terra.


Como expressou bem uma moradora da Vila Autódromo a situação é que a comunidade se formou há 30 anos quando aquela terra não interessava a ninguém, mas agora interessa. Detalhe importante: em frente ao autódromo há uma série de condomínios com todo o layout típico da Barra, recém inaugurados e outros em lançamento imobiliárias.


Em inúmeras falas demonstrou-se a preocupação com o efeito dominó da remoção da Vila  Autódromo, afinal se o título de direito a uso da terra por 99 anos dado a muitos da comunidade pelo governo Brizola for rasgado, então tudo é possível.


Vários representantes de movimentos para o direito da moradia e da distribuição justa do uso da terra estiveram presentes para alertar sobre a importância de preservar a comunidade, pois seria um total retrocesso de anos de luta pelo legítimo direito da população pobre usufruir do uso da terra. Todos nós brasileiros sabemos que essa é uma ferida histórica, que vem dos grandes latifúndios rurais, propriedades maiores que países europeus; da condição dos escravos que ao serem libertados não possuíam terras; dos imigrantes de terras secas do nordeste, também reféns dos latifundiários. Como declarou um outro representante de movimentos do direito a moradia: a violência nasce deste desterro.


Comunidade fica à beira da Lagoa de Jacarepaguá

Ao final da reunião uma fala era muito frisada, que a comunidade precisa se organizar coletivamente para poder ter força real. O Padre Luiz da Pastoral de Favelas que defende os moradores do Vidigal há 32 anos, comentou: “Na luta…por uma área de grande especulação imobiliária, é essencial a união de todos, pressão popular.”


Estiveram presentes na reunião: os vereadores Eleomar Coelho e Reimont; o representante da comunidade da Babilônia: André; Robson Leite membro do Pré Vestibular para Negros e Pobres, o Procurador da Justiça: Leonardo Chaves; a Defensora Pública: Maria Lúcia; Carlos Alberto Bezerra: Presidente da Associação de Moradores da Asa Branca, Sandra da Comunidade Muzema, um representante da Comunidade Shangri-la; João Bosco da Comunidade Rio Bonito; Vice presidente da Faferj; André da comunidade Tijuquinha; um representante da Comunidade Novo Lar; Sônia da Comunidade do Alto Camurí; Guimarães: Vice presidente da Associação de Moradores da Comunidade Cascatinha; um representante da Vila Tamboinha, um representante da Vila Recreio 1; um representante da comunidade do Alto da Boa Vista (representando 14 comunidades do Alto); o Movimento União Popular; um representante da comunidade do Canal do Anil; um representante da comunidade Cidade de Deus; Padre Luiz Antônio da Pastoral de Favelas; Daniele: Fórum de Conselho Popular; Mauricio: MUPE; Alexandre: Defensor Público; o Pastor Arcos da Assembléia de Deus; Dona Zélia do Arroio Pavuna, entre outros não registrados a tempo por nossas anotações e inúmeros moradores da Vila do Autódromo.



Roseli Franco – Diretora de Redes da ComCat com a colaboração do voluntário Romulo Andrade


Lições de Liderança da Asa Branca, por Amanda Earley*

Temos visto inúmeras pesquisas sobre o que torna um líder bem-sucedido, mas a maioria concentra-se na liderança empresarial ou educacional, ao invés de liderança comunitária. De muitas formas, ser um líder comunitário no Rio de Janeiro realmente divide os fortes dos fracos: os desafios de recursos, ganhar a confiança das pessoas da comunidade, e todas as relações clientelistas do estado e de atores não-estatais demandam dos líderes uma postura diplomática.


Imaginei que seria interessante observar as lições que eu aprendi de um líder comunitário carioca. Quais são as lições que podemos aprender com aqueles que preenchem algumas das posições mais difíceis de liderança?


A ComCat apresentou-me ao Carlos Alberto “Bezerra” Costa, que mora em Asa Branca, uma comunidade pequena e bastante nova (25 anos) na Zona Oeste do Rio de Janeiro. (Para ver fotos da comunidade, clique aqui!).


Bezerra tem sido o presidente da Associação dos Moradores por mais de 12 anos. Seu caso é único, não só porque Asa Branca é uma comunidade relativamente nova, mas também porque Bezerra tem sido capaz de motivar a sua comunidade para realizar projetos únicos, como a construção de um sistema de esgoto, melhorias no acesso à água, criação de um espaço de lazer na comunidade; aumentando a conscientização ambiental, organizando treinamento de primeiros socorros na comunidade e muito mais.


Eis o que eu aprendi:

  • Esperto e Engenhoso: Um líder precisa ser capaz de observar os problemas e trabalhar para resolvê-los da forma mais eficiente, além de aprender com o passado a fim de trabalhar antevendo possíveis problemas futuros. Por exemplo: em um ano choveu tanto, que a chuva entupiu o novo sistema de esgoto e inundou a comunidade. Bezerra teve que descobrir uma forma de resolver a questão das enchentes e esgotos, e ajudar aqueles que perderam suas casas. Mas ele também trabalhou para descobrir como refazer o sistema de drenagem para que isso não acontecesse novamente. Além disso, ele preparou sua comunidade para o caso de uma nova enchente, oferecendo aulas de primeiros socorros a um grupo de pessoas. Se houver outra situação de emergência, o povo estará mais preparado, desde o início, para lidar com ela.
  • Seja um Idealista Ambicioso: É fundamental encarar o futuro com visão e trabalhar ao máximo para realizá-lo. Um aspecto que Bezerra sempre enfatizou era que ele tem uma visão de poder proporcionar mais qualidade de vida para as crianças da sua comunidade. Mesmo esbarrando em muitos obstáculos, ele considera fundamental perseverar, para que as crianças de sua comunidade não enfrentem o que ele teve que enfrentar em sua própria vida.
  • Saiba Quando ser Aberto à Crítica e Quando Ter Pele Grossa: Às vezes, no local de trabalho, podemos esquecer como isto é importante. Você precisa não só dar feedback, mas muitas vezes ser capaz de receber feedback, aprender com ele, deixá-lo ser um motivador e não paralisar você. Bezerra diz que a maioria de suas críticas “construtivas” vem na forma de queixas de outras pessoas sobre seu desempenho. Mas em vez de deixar os comentários ferirem seus sentimentos, eles o motivam a tentar descobrir a melhor maneira de conduzir sua comunidade.
  • Não Tenha Medo de Falhar: Bezerra disse que, quando começaram a construir uma nova área de lazer, muitos o questionaram, dizendo: “Você realmente acha que isso vai funcionar? Temos mesmo recursos para isso?” Bezerra explicou: “Pode até não funcionar, mas eu vou trabalhar o máximo e fazer o meu melhor até descobrir uma maneira da minha comunidade ter uma área de lazer”.
  • Criatividade e Inovação: Bezerra é talvez um dos líderes mais criativos que conheci. Ele atribui essa qualidade ao fato de que ele tem de ser inovador, dizendo: “Aqueles que têm muito não podem se dar ao luxo de serem inovadores, mas aqui na minha comunidade, nós não temos muito. Trabalhamos com o que temos. “Um exemplo de sua criatividade: ele escreveu uma peça sobre o meio ambiente para que as crianças da sua comunidade a montassem. Através desta experiência, as crianças puderam aprender sobre o meio ambiente, participar de algo produtivo e ganhar confiança. O grupo foi patrocinado para se apresentar em todo o Rio de Janeiro, ensinando a outras pessoas sobre problemas ambientais que as comunidades mais pobres enfrentam diariamente.
  • Um Bom Ouvinte: Bezerra reconheceu ser um líder em sua comunidade, mas ressaltou o fato de que trabalha para a comunidade. Ele precisa saber o que eles precisam, o que pensam e como imaginam o futuro da comunidade, a fim de exercer bem a sua função.
  • Um Motivador (incentive outras pessoas!): Você é um líder, mas não conduz o espetáculo sozinho. Se você motivar mais pessoas a partilhar sua causa, você tem mais força. Aproveite os pontos fortes das pessoas, assim conseguirá que elas se envolvam. Perguntei a Bezerra por que motivo ele conseguia alcançar tantas realizações. Ele riu da minha pergunta. Eu fiquei confusa. Ele respondeu: “Eu não realizei essas coisas; a minha comunidade realizou estas coisas.” Ele me levou para fora da Associação e me apresentou ao seu carpinteiro, a seu líder cultural, sua equipe de construção, seu assistente financeiro, e disse: “Uma coisa é ter a idéia, outra é pôr em prática. As pessoas que estão trabalhando duro são estas.”

  • Nunca Pare de Aprender: Problemas mudam, visões mudam, seus “seguidores” mudam, até você muda. O mundo está sempre mudando e, portanto, temos de continuar aprendendo e antecipando algumas dessas mudanças. Embora Bezerra trabalhe todos os dias para corrigir os problemas diários (pavimentar estradas, fornecer acesso à água, criar um centro recreativo, etc), ele também encontra tempo para promover a consciência ambiental e alertar a população sobre epidemias de saúde, a fim de fortalecer sua comunidade no combate a eventuais problemas futuros.

Bezerra explicou que ele já nasceu com algumas qualidades de liderança, mas também aprendeu muito com a experiência. Ele explicou como, em seu primeiro dia como Presidente da Associação de Moradores, ele não sabia nada e teve que passar o seu primeiro ano aprendendo com os outros. Isso nos lembra que liderança é uma combinação de qualidades genéticas e adquiridas com aprendizado.


*Amanda Earley é estudante de mestrado em Relações Internacionais da Universidade de Georgetown. Ver post original no blog de Amanda: Global Girl Blog.



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